quinta-feira, 3 de setembro de 2020

PENSAMENTOS METAFÍSICOS ARTICULADOS!

 



NAS RUÍNAS DO MEU SAUDOSO COLÉGIO, VI O FANTASMA DA MINHA AMADA, MORTA QUANDO AINDA ÉRAMOS JOVENS!


Quanto mais sutil, pálido e desmilinguido for um fantasma, mais ele nos assusta, na medida em que a sua diáfana impotência é justamente a sua separação do mundo robusto onde vivemos e a chancela de seu pertencimento à outra dimensão, o além, que é propriamente o que tememos. Ao ver uma alma penada, tememos o lugar de onde ela veio, o inferno, e tudo que por lá existe, assim como no amor amamos os mundos possíveis e secretos, inacessíveis, que o ser amado desfruta, a nós interditados. A mesma regra vale para as lembranças: quanto mais vaga, imprecisa e miserável for uma recordação, mais ela se revela independente das roupas que nossa mente a veste, e mais mensageira ela se torna de um tempo real, verdadeiro, de uma época que nunca deixou de existir, mas que segue agora em uma dimensão paradisíaca da qual fomos eternamente expulsos!



Visitas do Sítio ENTRALMAS, cercanias do Museu de Kard, Vitória da Conquista-Ba. ₢ CRSD 



A limitação da vida, em sua dolorosa brevidade, é também o argumento soberano em favor da sua eternidade. Basta você considerar que, antes de alguém nascer, nada disso que constitui a vida poderia sequer fazer sentido, para desqualificar os argumentos materialistas de que não se pode haver vida após a morte do corpo. O alegado absurdo tem precedentes sempre que você considera esta dimensão em que vivemos pela ótica de quem não nasceu ainda. É mesmo imperativo supor que, em não havendo nenhum contratempo que lhe impeça morrer e lhe faça ficar para semente, a continuidade da vida após a morte é necessária por falta de algo concreto que a impeça, e que não seja esse algo da ordem contingente e considerada sem a inclusão das condições transcendentes aqui postuladas. Usei certa feita esse raciocínio em um debate com um professor materialista no Rio de Janeiro, o Cláudio Ulpiano, e ele me implorou quase chorando que não o divulgasse para, com ele, não por em derrocada toda a filosofia de Lucrécio, Espinosa, Nietzsche, Marx, Foucault, Deleuze et caterva, mas eu o faço. Por pirraça!

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